Páginas
Paráfrases de Salomão I
Posted in | às 19:26
Palavra do pregador: Como nossa rotina é fútil e vã. O que alguém ganha com todo o seu trabalho no qual investe toda sua energia? Hoje, somos nós. Antes, foram nossos pais e avós e, no futuro, serão nossos filhos e netos. No entanto, o planeta segue seu curso à revelia de nós: o sol continua nascendo, o vento segue seu caminho imprevisível, a água dos rios se renova em seus processos na corrida pelo encontro do mar. Tudo isso acontece sem que, particularmente, possamos influir em nada. O que se passa a nossa volta só pode provocar tédio, pois de fato não há nada de novo acontecendo. O que chamam de novidade é apenas fruto de uma ignorância histórica: o que existe hoje, foi criado há séculos. Estamos apenas contemplando versões pioradas e editadas de ideias antigas. Isso também é desgastante! Pois, ninguém se lembra do que aconteceu e nem as próximas gerações darão importância ao passado. A expectativa de ser memorável é inútil: ninguém se lembrará do que fizemos por muito tempo. Eu, o pregador, venho sendo governante e me dediquei a conhecer com profundidade tudo que o se passa no mundo. Analisei as várias funções que os seres humanos assumem na sociedade e sua motivação em realizá-la e concluí que estão completamente iludidos, andando em círculos, em suas tarefas pesadas esvaziadas de propósito.
Um dia, eu até pensei: Acumulei conhecimento e adquiri inteligência mais que meus antecessores. Por isso, me tornei grande e experiente nas questões práticas e filosóficas da vida. Dediquei minha vida a discernir a sabedoria da loucura, mas querem saber: pura ilusão. Porque quanto mais conhecimento adquiro, mais tédio e tristeza eu acumulo!
Cela Fria
Posted in | às 17:03

No fundo de uma cela fria
Estava eu e a solidão
A alegria tinha ido embora
E eu esperava a hora da execução
O pranto molhando meu rosto
E eu revendo meus pecados
Me senti num beco sem saída
Pois durante a vida, eu fiz tudo errado
E eu sofrendo ali desesperado
Chegou um soldado e tirou as correntes
e falou pra mim
Você vai se livrar da morte, é seu dia de sorte
você pode ir
E ele disse vai em paz, você já não tem motivo pra ficar
Outra pessoa vai morrer em seu lugar
Eu era um criminoso, ele era sem pecado
Eu estava sendo solto e ele sendo condenado
Eu era a mentira ele era a verdade
Eu era um engano ele era a realidade
Eu estava em plena guerra ele trouxe a paz
O seu nome é Jesus Cristo e eu era Barrabaz
Por Anderson Marques
Followers tomando a decisão certa.
Posted in | às 23:55
Quem resolveu seguir a Cristo precisa estar apto a tomar decisões difíceis todos os dias. Difíceis porque podem custar a sua reputação, sua popularidade e até algumas amizades.
Topamos checar a vida de algumas pessoas na Bíblia, transpondo barreiras culturais, temporais e linguísticas para extrair os princípios que vão nortear nossas decisões.
Começamos refletindo nos porquês. E, de acordo com Efésios 2, vimos que a humanidade toda se encontra numa espiral maluca, seguindo o @mundo, o @principedestemundo e a @carne. O problema é que, apesar da ilusão de liberdade, isso nada mais é que escravidão e morte. Não dá pra não fazer o que esses perfis doentios, rebeldes contra Deus e destruidores nos mandam fazer a menos que o próprio Deus nos arranque de lá, soprando vida de novo em nós.
Pedro, um dos mais importantes @followers de Jesus, teve sua vida dissecada nas bancadas da IEP. Depois de ler um dos mais dramáticos episódios da vida dele, os @followers se reuniram em dois grupos para elaborar argumentos que convencessem o pobre Pedro a não negar Jesus. Confira aí o texto:
69 Pedro estava sentado lá fora no pátio, quando uma das empregadas chegou perto dele e disse: —Você também estava com Jesus da Galiléia.70 Mas ele negou diante de todos, dizendo: —Eu não sei do que é que você está falando.71 Depois foi para a entrada do pátio. Outra empregada o viu e disse às pessoas que estavam ali: —Ele estava com Jesus de Nazaré. 72 Pedro negou outra vez, respondendo: —Juro que não conheço esse homem! 73 Pouco depois, os que estavam ali chegaram perto de Pedro e disseram: —O seu modo de falar mostra que, de fato, você também é um deles.74 Então Pedro disse: —Juro que não conheço esse homem! Que Deus me castigue se não estou dizendo a verdade! Naquele instante o galo cantou, 75 e Pedro lembrou que Jesus lhe tinha dito: “Antes que o galo cante, você dirá três vezes que não me conhece. ” Então Pedro saiu dali e chorou amargamente.
Vamos aos argumentos:
Grupo 1:
Pedro, 1. lembre-se do seu compromisso com Jesus. Algumas horas atrás você prometeu que o seguiria até a morte se fosse preciso. 2. Jesus ama você. 3. Ele disse que todo aquele que o confessasse diante dos homens seria reconhecido por ele diante do Pai, mas todo que o negasse, seria negado diante do Pai.
Grupo 2:
Pedro, 1. Jesus é seu amigo. Lembre-se de todos os momentos que tiveram juntos, os milagres que ele fez, as palavras de vida que ele falou. 2. Jesus te ama tanto que até os seus defeitos ele perdoou. Ele te conhece mais que você mesmo. 3. Se você negar a Jesus, imagine a angústia de alma que você terá de suportar.
Foram ótimos argumentos, mas Pedro negou a Jesus faz mais de 2 mil anos e como outro @follower de Cristo disse: essas coisas foram escritas para nossa advertência. Então, fica a lição do irmãozinho Pedro.
Depois, passamos a falar das motivações para tomarmos as decisões corretas. E, o ponto foi: se Cristo não for o que temos de maior valor, cada decisão nossa será um teatrinho que pode convencer algumas pessoas, mas não afetará positivamente nossa vida e isso sabemos que ele não quer. Olhando pra Cristo e fazendo dele nosso alvo principal na vida, não vai haver sacrifícios em @seguir a ele.
Veja os textos:
“O Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo.”
Mateus 13:44
"O meu povo cometeu dois crimes: eles me abandonaram, a mim, a fonte de água viva; e cavaram as suas próprias cisternas, cisternas rachadas que não retêm água.”
Jeremias 2:13
Você pode seguir quem e que você quiser, mas saiba que se você quer ser feliz, achar seu propósito e ter uma vida que te satisfaça, você precisa correr até a fonte da água viva. Você vai ter que lutar contramuita coisa, mas quando alcançar a fonte, tudo valerá a pena.
Veja o videozinho que ilustra um pouco do conceito de valor e sacrifício:
Pelo queijo, dá pra enfrentar uma ratoeira com coragem!
“Não é tolo aquele que dá o que não pode reter para ganhar o que não pode perder.”
Jim Elliot
Vai a música do Steve Chapman que a gente ouviu depois (a edição não é muito boa, mas a música vale o sacrifício):
Read Users' Comments (1)comentários
Como ama o Amor
Posted in | às 11:06
Salmos, Hinos, Cânticos e Sabão em Pó!
Posted in | às 17:32
Sucesso é...
Posted in | às 15:15
Conseguir ganhar um sorriso e um beijo na bochecha de uma garotinha de dois anos e meio que morria de medo de mim.
Ele Vê Além da Transitoriedade
Posted in | às 12:11
E ele, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E, no mesmo instante, lhe desapareceu a lepra. Lucas 5:13
Essa dramatização extrema visa ilustrar que o Cristo entrou no tempo sem deixar-se afetar por ele, deixando seu olhar penetrar a eternidade em detrimento da condição deplorável, mas transitória daqueles que ele amou. Encontrou homens imersos em trevas, mas enxergou-os em suas condições preestabelecidas antes de tempos inimaginágeis quando havia Ele, subsistindo em Três pessoas, totalmente satisfeito e completo em Si mesmo, mas mirando o tempo em que manifestaria a beleza de seu amor a criaturas como nós. Ao mencionar esses tempos, Paulo reconhece que a obra completa Dele em nós é tão certa que usa o tempo passado para um verbo que expressa uma ação não-concretizada na História, mas garantida pela intransitoriedade do Poder Divino. “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.” É o último verbo que descreve a única experiência ainda não atingida por homem nenhum, apenas pelo próprio Cristo ressurreto. E Ele mesmo é descrito como o Cordeiro morto antes da fundação do mundo estabelecendo que sua condição eterna diante do Pai e dos homens, aquela que o define como Ser, não é aquela determinada pela transitoriedade, mas a que já é realidade no campo de sua decisão pessoal, aguardando apenas a manifestação. Ao contrário de nós, que sabemos que ações valem mais que palavras, a ação tem sua importância subjugada pelo seu próprio desejo Dele. Palavra é ação e desejo é atitude certa e garantida.
Fragmentos
Posted in | às 07:47
Quem define o homem? A filosofia, a religião e a ciência disputam séculos a fio essa atribuição. A religião manteve-se por muito tempo como a fonte da verdade e muitos beberam dela, mas suas águas ficaram com o gosto amargo da intolerância e do legalismo. A filosofia avançou, mas perdeu-se numa multiplicidade confusa de ideais desconexas. Por último, com a idolatria da razão, a ciência se autoproclamou como única via isenta para chegar a essa verdade, mas não foi capaz de responder aos anseios transcendentais do espírito humano. Com isso, o homem perdeu-se no mundo das ideias, sozinho e confuso, violentamente partido em razão, emoção e espiritualidade como se essas partes fossem irreconciliáveis.
Por isso, como um espelho partido, o homem espatifou-se no chão em mil pedaços, destruído e desprovido de propósito como jamais se viu na história da Humanidade. Uma face espelha seu anseio pelo transcendental e outra seu apego à matéria e o ceticismo do fascismo científico. Esse encontro de matizes acabou por criar uma imagem do homem que de forma alguma espelha seu caráter, sua natureza e muito menos é capaz de refletir o Criador que o criou precisamente com esse fim.
Então, esses estilhaços, remontados sobre essa base irregular, jamais poderão cumprir suas funções que se constituem o propósito, o caminho e a felicidade plena de todo homem: Espelhar seu Criador – quando voltada a face para habitação celestial no esplendor das perfeições de Deus o homem se posiciona de forma a refletir no mundo esse brilho intenso, as matizes dessa luz clarificam sua visão de si mesmo e, principalmente, do outro, cujo propósito também é espelhar outras imagens da glória Dele. Nesse encontro de imagens, espelho frente espelho, tudo reflete o Criador e Deus é tudo em todos. Ao se deparar com a própria imagem no outro, o ser humano é tomado de deleite, pois contempla a beleza do Criador em sua própria imagem.
Entretanto, nosso eu fragmentado distorce, recorta e tira de perspectiva esse quadro perfeito. Quando olhamos para os outros não vemos a luz de Deus e nos deparamos com nossa própria imagem nua e em pedaços, essa visão chocante desperta medo, ódio e solidão, pois nada faz sentido e não há beleza a ser admirada.
Por fim, a esperança não reside em consertos e reformas, mas em reconstrução total. Desconstruir-se por meio de um abandono de paradigmas e reconhecimento da única autoridade que repara o que nenhum homem ou ideologia ou instituição são capazes, a autoridade do logos do Criador, sua palavra, até que se completem os dias e a luz brilhe de uma vez por todas sem esvanecer-se em nuvens de incredulidade e dúvida, pois, finalmente, a esperança será concretizada, a fé encontrará seu objeto e triunfará o amor perfeito e completo, Criador e criatura, para sempre.
Leãozinho
Posted in | às 04:23
Vai, leãozinho! Corre pela savana improvisada
Solta um rosnadinho baixinho saindo do gogozinho pequinininho.
Arma o bote, mira a presa e dá uma guinada
Eu sou a presa, indefeso, não fujo.
Arma suas garras e desfere o golpe que me abate.
O leãozinho é só orgulho, abre um sorrisão:
“Tio, agora eu sou um Tiranossauro Rex e você, King Kong.”
Recomposto, dessa vez, estufo o peito e bato nele com as mãos fechadas.
Solto um grito apavorante e ele arregala os olhos.
Motivado, encolhe os braços e caminha como o predador pré-histórico.
Ataco e recebo um contra-ataque das mandíbulas mais poderosas do mundo
Não tenho chances contra a investida dele, diferente do filme.
Mais uma vez eu tombo, só pra ver seu sorrisinho largo.
Mas agora, eu sou o vento que dá asas para águia
Sustento voos rasantes, ele, inseguro, agarra meu braço.
Não tenho tempo de respirar, ele muda de bicho,
Imita, rosna, corre e caminha igualzinho.
O leãozinho-tiranossauro-rex ouve a mamãe chamar
Ganho um beijo, e: Tchau, tio!
É terapêutico o som da voz dele,
E eu fico lá, exausto, e feliz.
Feliz por ser uma das presas prediletas dele,
E, através de dramatizações dignas de um Discovery Channel,
Ver sua inteligência se desenvolvendo e aumentando
Sincronizando duas personalidades numa harmonia perfeita
O pai e a mãe, espelhados no seu caráter em formação.
Feliz, pelo carinho de brincar com ele,
De ter que virar criança de novo, sempre que o encontro
E virar o mundo de pontacabeça
Interpretando os papéis que ele me pede
Para dar valor a cada minuto, participando.
Logo, o leãozinho crescerá, solto na Selva da Vida
Na difícil arte da experimentação, tentativa e erro aprenderá
Que “hay que endurecer pero sin perder la ternura”
E manterá a ternura de uma ovelinha
Algumas vezes será a presa e outras, predador,
Como acontece com todos.
E saberá que as leis da Floresta não se aplicam a ele
Por ser o Rei, ele tem um código de honra a cumprir
Dado a ele por aquele que está acima de tudo
O Criador, Doador e Mantenedor de sua existência
Que deseja ser glorificado nele e o ama sem medida.
Gosto muito de você leãzinho... Te amo!
Fábulas e Cantigas do Chiquinho
Posted in | às 13:51
SABIÁ LÁ NA GAIOLA
E a menina que gostava tanto do bichinho,
Chorou, chorou, chorou, chorou
Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho,
Voou, voou, voou, voou
E a menina que gostava tanto do bichinho
Chorou, chorou, chorou, chorou
Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho,
Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho,
Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho
Sabiá que saudade...
Volte logo pra ca.
Sabiá que saudade...
Quero ouvir teu cantar.
Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho,
Voou, voou, voou, voou
E a menina que gostava tanto do bichinho
Chorou, chorou, chorou, chorou
Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho,
Voou, voou, voou, voou
E a menina que gostava tanto do bichinho
Chorou, chorou, chorou, chorou
Sabiá fugiu do terreiro,
Foi cantar no abacateiro
E a menina pôs-se a cantar
Vem cá, sabiá, vem cá
A menina diz soluçando,
Sabiá estou te esperando,
Sabiá responde de lá,
Não chore que eu vou voltar...
Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho,
Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho,
Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho...
Sabiá que saudade...
Volte logo pra cá.
Sabiá que saudade...
Quero ouvir teu cantar.
O SABIÁ E O URUBU
De Monteiro Lobato – Interpretando Esopo e La Fontaine
Era à tardinha. Morria o sol no horizonte enquanto as sombras se alongavam na terra. Um sabiá cantava tão lindo que até as laranjeiras pareciam absortas à escuta.
Estorce-se de inveja o urubu e queixa-se:
- Mal abre o bico esse passarinho e o mundo se enleva. Eu, entretanto, sou um espantalho de que todos fogem com repugnância... Se ele chega, tudo se alegra; se eu me aproximo, todos recuam... Ele, dizem, traz felicidade; eu, mau agouro... A natureza foi injusta e cruel para comigo. Mas está em mim corrigir a natureza; mato-o, e desse modo me livro da raiva que seus gorjeios me provocam.
Pensando assim, aproximou-se do sabiá, que ao vê-lo armou as asas para a fuga.
- Não tenha medo, amigo! Venho para mais perto a fim de melhor gozar as delícias do canto. Julga que por ser urubu não dou valor às obrasprimas da arte? Vamos lá, cante! Cante ao pé de mim, aquela melodia com que há pouco você extasiava a natureza.
O ingênuo sabiá deu crédito àqueles mentirosos grasnos e permitiu qye dele se aproximasse o traiçoeiro urubu. Mas este, logo que o pilhou ao alcance, deu-lhe tamanha bicada que o fez cair moribundo.
Arquejante, com os olhos já envidrados, geme o passarinho:
- Que mal fiz eu para merecer tanta ferocidade?
- Que mal fez? É boa! Cantou!... Cantou divinamente bem, como nunca urubu nenhum há de cantar. Ter talento: eis o grande crime!...
BOIADEIRO
Luiz Gonzaga
Vai boiadeiro que a noite já vem
Guarda o teu gado e vai pra junto do teu bem
De manhazinha quando eu sigo pela estrada
Minha boiada pra invernada eu vou levar
São dez cabeça é muito pouco é quase nada mas não tem outras mais bonitas no lugar
Vai boiadeiro que o dia já vem
Levo o teu gado e vai pensando no teu bem
De tardezinha quando eu venho pela estrada
A fiarada ta todinha a me esperar
São dez fiinho é muito pouco é quase nada mas não tem outros mais bonitos no lugar
Vai boiadeiro que a tarde já vem
Leva o teu gado e vai pensando no teu bem
E quando eu chego na cancela da morada
Minha Rosinha vem correndo me abraçar
É pequenina é miudinha é quase nada mas não tem outra mais bonita no lugar
Vai boiadeiro que a noite já vem
Guarda o teu gado e vai pra junto do teu bem
Fontes:
Sabia lá na gaiola:
http://letras.terra.com.br/grupo-anima/1280317/
http://cifrantiga3.blogspot.com/2006/05/sabi-l-na-gaiola.html
BOIADEIRO:
http://letras.terra.com.br/luiz-gonzaga/204734/
O SABIÁ E O URUBU:
http://books.google.com.br/books?id=tfhDjiHJ0mIC&pg=PA42&lpg=PA42&dq=O+sabi%C3%A1+e+o+urubu+F%C3%81BULAS&source=bl&ots=vc2ogVIF-w&sig=osiKkCAj_TLIgjIEO_wq9XJJU94&hl=pt-BR&ei=nbgiS6LpL8KVtgf3nujNBw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=7&ved=0CBoQ6AEwBg#v=onepage&q=&f=false
O Pequeno Gui Guerreiro
Posted in | às 06:54
Ainda balbuciava suas primeiras palavras despertando uma alegria singela naqueles que o rodeavam, quando foi convocado para uma grande batalha.
Ainda sorria com as caretas dos adultos e gargalhava ao balançar do chocalho quando teve de ouvir palavras que despertassem nele uma coragem que ainda não desenvolvera.
Não sabia ainda empunhar a espada nem levantar o escudo, quando foi colocado no fronte e projetou diversas batalhas na guerra da vida. Ganhando pequenas batalhas todos os dias e perdendo outras, mas sempre se fortalecendo e crescendo mais ao fim de cada uma delas.
Ainda nem aprendera as lições e teve de enfrentar as provas.
Tomou pela mão sua grande aliada, sua fiel escudeira que, desde sempre, espiou o inimigo antecipando-lhe os movimentos, pronta a se jogar na direção de lança ou arma que porventura pudesse lhe causar dano.
Manteve-se forte ao suportar a dor, conviveu com ela e subjugou-a. Cada gole de sofrimento bebeu do cálice.
Um dia ainda entenderá sua dor e seu sofrimento em viver lutando para viver. Verá que suas batalhas desgastantes foram assistidas pelo General dos Generais e aprenderá que na agonia, Deus mostra-se, em tudo, forte para com àqueles cujos corações são totalmente Dele.
Um dia todo o consolo que brotou feito nascente dos rios do Trono da Graça romperá de dentro do seu peito em forma de perfeito louvor e bálsamo para os feridos e aflitos.
Um dia compreenderá o grande plano do Grande Artista do Universo que aplicou sua infinita sabedoria, senso de beleza criativa para ordenar sua vidinha tão frágil de forma que o Pequeno Guerreiro torne-se O Grande Campeão e receba a coroa da glória.
Meu guerreirinho, segurando seu Charlie, sentou-se ao meu lado na poltrona e brincou como se não estivesse longe de casa. Riu das minhas piadinhas e joguinhos com seus olhinhos brilhantes e seu cabelo tão macio caindo por sobre os olhos. Tentou me impedir de ir embora, mas com soninho, me disse: “Pode ir, tio.”
Ele ainda tem algumas batalhas para ganhar. Como eu queria, meu pequeno Gui-rreiro, poder lutá-las por você, sentir sua dor, tomar seu cálice de sofrimento e avançar contra seus algozes, mas não posso. Mesmo assim, vou ficar do teu lado. Vou colocar minha cadeira ao lado da sua cama para você brincar com minha mão e dar aquelas risadinhas que espantam minha dor de ver sua dor. E posso colocar minha mão em sua cabeça, na autoridade do meu Senhor Jesus, sentindo compaixão com aquele que, além de sofrer tudo que eu e você sofremos, sofreu ainda o único sofrimento que nem eu nem você, meu guerreirinho, poderíamos suportar sofrer. Por isso, sente como só você sente.
Que Ele seja tua força, pequeno grande soldado! Sua e daqueles que te acompanham na batalha. Que Ele seja o seu suprimento de alegria, de água e de pão. E que Ele se torne, mais e mais, a suficiência de sua alma.
Titio te ama!
Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho...
Posted in | às 06:51
Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho. Voou, voou, voou, voou...
A menina que gostava tanto do bichinho, chorou, chorou, chorou, chorou...
Essa canção antiga me embalava na infância na hora de ir para a cama. A história de um sabiá que resolve ir cantar no abacateiro e uma menina que amava o cantar dele, pôe-se a chorar e a cantar pedindo a volta do bichinho. Mas tinha também uma pequena fábula de um urubu que se afundava em inveja e autocomiseração ao ouvir o cantar de um sabiá. O urubu traiçoeriamente ataca o pobre sabiá que pergunta: "Que mal fiz eu para merecer tamanha ferocidade?" E o urubu responde: "Cantaste e tão divinamente cantaste como nenhum urubu há de jamais cantar".
Meu pai contava essa história sempre com o mesmo entusiasmo, com as palavras bem colocadas, variando a tonalidade da voz, ora demonstrando a indignação do urubu, ora demonstrando sua dissimulação, pausando nos momentos de tensão como um verdadeiro mestre dos suspenses. Eu não me cansava de ouvir essa canção e esse conto e pedia para ele repeti-la por várias e várias vezes. Depois, ele pegava minha mão e fazia uma oração pedindo que Deus me guardasse dos pesadelos. Nem sempre eu falava que estava com medo, mas ele e minha mãe sabiam e se revezavam em dorimir de mãos dadas comigo.
No navegar entre essas fábulas, canções e histórias bíblicas minha mente imaginativa ainda em formação se expandia criando diversos mundos paralelos que espelhavam as palavras, os gestos e o tom de voz que meu pai conferia a seus contos. Com pouquíssima idade, meu pai me familiarizava com sentimentos como saudade, perda, admiração, inveja, misericórida, etc. e despertavam em mim um desejo intenso por conhecimento, história e pela busca do significado e motivação das minhas emoções. Sua criatividade para artes, literatura e desenho, sua aplicação no trabalho e sua compaixão amorosa em servir as pessoas que ele ama apaixonadamente são vistas nas nuances do meu caráter em amor ou menor grau, mas derivam sempre na fonte que eu bebi e bebo sem miséria!
Que grande homem, grande caráter, grande paixão pelos outros. Um dos maiores homens que já pisaram nessa Terra caída. Um alguém que juntou tesouros que não podem ser destruídos e conseguiu concentrar sua mente no que era mais importante ignorando as vozes do sucesso e dos pequenos prazeres.
Obrigado! Eu te amo, pai!
Um Lula todo meu
Posted in | às 05:53
Eu tenho um Lula feito só pra mim. Ele sempre me diz que o país é construído por pessoas como eu. Ele admira minha garra, minha força de trabalho e me garante que vai tomar algumas medidas que vão me atingir diretamente. Meu financiamento da casa própria não mais ficar tão pesado. Quando nós conversamos sobre futebol, ele me diz que é corintiano mas ama de verdade meu Santos e que ficava estarrecido com aquele que já foi o time do século na década de 60. Ele me diz que tem o maior respeito pelos religiosos e seus trabalhos sociais. Quando pergunto sobre suas convicções esquerdistas e socialistas, ele enche o peito para falar que seu socialismo evoluiu e que tornou-se uma espécie de objeto de estudo dos teóricos franceses e Velha Europa oriental.
Meu Lula defende que seu governo é voltado para a classe trabalhadora, mas não tem problema em jantar com quantos Eikes Batistas estiverem no seu caminho. Aliás, fala que o companheiro Alencar é querm estreitou seu relacionamento com os empresários deste país.
Falando de companheiros, ele me diz que nunca abandonou um companheiro e que o Zé, o Gushiken, o Silvio e o Genoíno foram vítimas do sistema. Ele diz: "Quem sou eu pra julgar? Todo mundo comete erros"
Foi realmente emocionante e cativante ver meu Lula chorando quando o Brasil foi escolhido para ser Sede da Copa de 2014 e o Rio de Janeiro, das Olimpíadas de 2016. Ele diz que ama o Brasil, que tem sentimento de dever apaixonado por esse país.
O meu Lula me leva pra comer tambaqui, açaí, cupuaçu e tacacá em Manaus, sushi, sashimi e temaki em São Paulo e me leva pra conhecer as praias do Nordeste. Manda sempre um livro de presente no meu aniversário e deixa recados e depos no meu orkut sempre de forma inesperada. Então eu faço a seguinte pergunta: Como você sabe tanto sobre mim, meu Lula? E ele responde: Nunca antes na história desse país houve alguém que soubesse tanto a respeito do povo, que fizesse mais pesquisas sobre seus gostos e pagasse fortunas com publicitários para se tornar um produto que agradasse as massas não importa o quão diferente elas sejam. Nunca antes na história desse país alguém renunciou a todas as suas convicções em nome de um projeto pessoal de poder e dominação sutil. Nunca antes na história desse país, alguém foi tão flexível e maleável a ponto de agradar pobres, trabalhadores e ruralistas, mas que se inclinasse com tanta destreza aos interesses de industriais, banqueiros e empresários. Nunca antes na história desse país, houve um presidente que golpeasse seu partido pelas costas, obrigando-o a fazer alianças em troca de cargos e indicando uma candidata para as presidenciais que não tem chance de vitória, só pra poder voltar em 2014 quando o argumento da Copa e das Olimpíadas será irresistível para a esmagadora maioria dos brasileiros. Nunca antes na história desse país houve um presidente que juntasse seus "amigos" endinheirados numa "vaquinha" pra fazer um filme sobre a vida dele.
Meu Lula mercadológico é assim, mas... não dá pra não gostar dele, não é?
Tolkien vs. Teísmo aberto
Posted in | às 12:14
Em seu livro O Silmarillion, o autor J. R. R. Tolkien narra uma série de eventos de eras passadas àquelas da estória “O Senhor dos Anéis”. O primeiro capítulo é uma descrição da criação de todas as coisas por Eru, chamado na língua do elfos de Ilúvatar, Aquele que é. A semelhança com Gênesis da Bíblia é muito clara e intencional, miscigenada a várias outras filosofias as quais não pretendo mencionar aqui. Também não fiz citações bíblicas, pressupondo que alguém que se interessa por um texto como esse sabe o que ela ensina a respeito. O que me impressionou no livro foi um acontecimento anterior ao aparecimento de Arda, a terra e toda a criação em vista das constantes declarações dos proponentes do Teísmo aberto ou Teologia Relacional, dos quais fazem parte os conhecidíssimos Ricardo Gondim e Ed Rene Kivitz.
No ínicio, Ilúvatar gera de seu pensamento os Ainur, seres magníficos e poderosos, mais tarde chamados pelos elfos de Poderes do Mundo, e através de temas musicais propostos por Ilúvatar, os Ainur executam sua música numa progressão cada vez mais harmoniosa e bela através da qual o mundo veio a existir. No entanto, um dos mais poderosos Ainur, Melkor, desejando criar coisas por si mesmo começou a se afastar do tema que os outros Ainur estavam tocando e sua música tornou-se dissonante. Por longas eras, duas músicas tocaram uma a parte da outra, e, embora a beleza da música continuasse, a tristeza começou a habitar no Reino abençoado. Eru, então, propõe um novo tema, ainda mais grandioso, mas Melkor persiste em sua música dissonante. A dos Ainur, era bela e meoldiosa, mas a de Melkor, repetitiva. No entanto, as duas pareciam se entremear criando um novo tema, e, então, Eru se pronuncia:
“Poderosos são os Ainur, e o mais poderoso dentre eles é Melkor; mas, para que ele saiba, e saibam todos os Ainur, que eu sou Ilúvatar, essas melodias que vocês entoaram, irei mostrá-las para que vejam o que fizeram E tu, Melkor, verás que nenhum tema pode ser tocado sem ter em mim sua fonte mais remota, nem ninguém pode alterar a música contra a minha vontade. E aquele que tentar, provará não ser senão meu instrumento na invenção de coisas ainda mais fantásticas, que ele próprio nunca imaginou.”
Nem Melkor, o mais portentoso e sábio dos Ainur atentou para o fato de que a ligação Criador-criatura é inseparável, inegociável e estabelecida em uma relação de subordinação a única Vontade totalmente livre e guiada pelo conselho do Ser Criador. O maior determina e o menor cumpre a determinação. No pensamento de Tolkien, tudo tem sua fonte neste Ser, mesmo que a análise dos fatos não chegue à profundidade dessa constatação.
De outro lado, estão os postulantes da Teologia Relacional, cuja cosmovisão submete ao amor de Deus todos os seus outros atributos. Aliás, como diz François Varillon, S.J.: (...)“o amor não se situa nesse plano, não é um atributo de Deus: é o próprio ser de Deus.” A conclusão deles é que esse amor resulta em liberdade de escolha, pois um Deus que ordena a História de forma linear, sem contudo, caminhar junto com o homem através dela, não pode se relacionar com seres que a percorrem e restringe-lhes a liberdade. Deus abriu mão da sua soberania e do conceito clássico da onisciência para se tornar próximo ao homem, decidindo com ele, trabalhando suas imperfeições através da Bíblia, aprendendo com eles e se arriscando. Na base disso, está a filosofia de que o futuro não pode ser conhecido porque ainda não aconteceu, ele nem existe. É uma linha desenhada pelo dedo de Deus junto com a do ser humano. Na prática, essa visão explicaria o que eles chama de contingência (ocorrências sem propósito, sem um porquê, sem finalidade).
O Melkor dos teólogos relacionais não é o diabo. É essa contingência, essa dissonância, essa falta de propósito, é a definição dessas notas fora do pentagrama e posicionadas sem levar em conta seus valores dentro do compasso e sem concordância com as outras notas para se formar um acorde. O compositor não escreveu essas notas, elas foram colocadas pelos músicos, ou ainda, pelos próprios instrumentos. O maestro não se põe a frente dos músicos, ele passa por entre a orquestra tentando captar as notas e reordená-las num corre-corre para tirar um pouco de som dessas partituras rabiscadas.
O Iluvatar de Tolkien confronta e subjuga Melkor, mostrando-lhe uma representação material, substancial de sua música num passeio por toda a história para que Melkor entenda que sua música desafinada tem sua origem no compositor, que já ponderou e calculou milimetricamente cada nota na sua partitura, seus valores dentro do compasso e suas posições em relação às outras. Dele derivam todas as notas de todas as músicas, criadas para sua própria glória e para admiração de todas as suas criaturas.
Processos da reflexão em Colossenses
Posted in | às 06:28
Enquanto medito nas palavras de Colossenses capítulo 3 visando a elaboração do estudo de domingo, vejo minha alma se encolher diante dessa tarefa. Nunca me senti tão fraco, frágil e incapaz de dirigir minha vida. Sinto Deus um tanto distante, mas ouço sua voz ao longe me chamando pra perto dele. Sinto ele correndo em minha direção como o pai do filho pródigo, mas percebo minha natureza se escondendo como Adão no Éden. Paulo fala de coisas tão elevadas e eu me sinto pequeno. Ele é pastoral e equilibrado. Eu, tendencioso.
O que mais me assusta vendo esse texto é a jurisdição que alguém tem quando proclama a vontade de Deus. Com a Bíblia na mão, tendo descoberto o sentido único de um texto e debaixo das asas do Altíssimo, é o próprio Deus falando através do mensageiro. É a carta de Deus que ele está entregando. Então, o carteiro tem o direito, - NÃO - O dever de ensinar aos comprados com o sangue de Cristo como devem agir. O mensageiro diz ao médico como ele deve exercer a medicina, ensina o empresário como deve administrar sua empresa, diz ao auxiliar de escritório que tipo de funcionário ele deve ser. Diz ao filho como tratar o pai e o pai como amar o filho. O homem a amar a esposa e a esposa amar o marido. Até no íntimo, no homem interior esse kerigmático interfere. Mas, ao invés de ferir a individualidade – supervalorizada nessa pósmodernidade – ele a define, amplia e direciona.
Por isso, esse é um trabalho difícil. Não me sinto suficiente para essas coisas. Mas se eu seguir meu Mestre, a autoridade emanará da Palavra. Não falarei de mim mesmo, nem me glorificarei. Não vou esmagar a cana quebrada, nem apagarei a torcida que fumega. Vou construir e não destruir. Se destruir, é porque tem muro no coração que precisa cair mesmo. É o muro da inimizade que existe na alma facciosa, divisionária e egoísta.
Quero que ela refresque almas do calor das aflições como as águas geladas de uma cachoeira batendo nas pedras. Que ela restaure, refaça os despedaçados pelos golpes constantes dos fracassos. Quero que ela dê clareza aos simplíces para que eles sejam simples como ela é.









